Andréia Dias – Vol. 1

A cantora e compositora Andreia Dias, conhecida por seu trabalho na Banda Glória e na DonaZica, estréia com uma disco impecável, Vol. 1. Em seu primeiro trabalho solo, Andreia apresenta um repertório surpreendente e original. Ela assina todas as canções (duas em parceria com Iara Rennó) e produção ficou a cargo do baterista Guilherme Kastrup. Durante as gravações, Andreia cantou ao lado do guitarrista cearense Fernando Catatau, do baixista Luque Barros, de Marcelo Jeneci nos teclados e do próprio Guilherme Kastrup. O CD ainda teve participações da DonaZica, Osvaldinho da Cuíca, e outros amigos.
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01. Asas
02. Bode
03. Homem
04. Seu retrato
05. Fio da comunicação
06. Vampiro tupiniquim
07. Veia urbana
08. Madrugada
09. Libido
10. Não mais que um dia
11. Linfa ácida
01. Asas
Sei que minhas asas não são só belas
Sim, eu tenho asas, preciso abri-las
Se ao teu lado não sou muito criativa
Eu vou cantando para abafar essa fobia
Naturalmente sugeri lapidação
Mas você mente ao seu próprio coração
E vem dizer que isso é karma secular
Que vai tomar as providências lá no bar
Sinto que meu domingo fica azedo
Sim, todo domingo eu tenho medo
E quando vem e me olha com essa cara
Já me constrange porque me sinto uma mala
Anote outra pro seu livro de memórias conjugais
Vou respirar e não volto nunca mais…
*Uma resposta à Memórias Conjugais (Paulinho da Viola)
02. Bode
Você diz que não me compreende
Que não me entende e que sente horror
Dessa vida louca que ando levando,
Desvairado amor
Não percebeu que acabou-se o tempo
Em que ficava ouvindo o seu lamento
Minha paciência se acabou…
Tchau, fui, Adiós
Olhe, não me incomode, não me dê bode,
Me deixa em paz
Eu não quero te ver mais.
Você se acha o mais esperto, o mais envolvido,
sabichão com diploma, todo esclarecido,
sempre por dentro da situação
O mais malandro, o mais sagaz,
o mais bonito,
Mas o que você não sabe, amigo,
que o mundo não gira em torno do seu umbigo
03. Homem
Homem,
Seu desejo secreto é me ver no necrotério
Branca como a neve
Bela adormecida esquecida,
Uma flor murcha e caída
Homem,
Pressinto que opera uma trama fatal
Sonhei com meu sepulcro à beira do Pantanal
Hombre,
Mamífero desmamado, bípede malvado,
Você quer me espiar
Vai passar a mocidade esperando se vingar
E vai regozijar-se quando os meus lábios gelados beijar
Mas por que, meu querido, por que, meu amor?
04. Seu retrato
Ai, que gostoso esse seu orgasmo
Ai, que delícia essa sua malícia
Ai, que barato esse seu retrato manchado no quarto
Ai, que desgosto desse seu descaso
Ai, que frescura toda essa ternura
Ai, que beleza toda essa firmeza
Ai, que escrachio esse seu escarro espalhado no prato
Ai, que despeito desse seu destrato
Se quem canta seus males espanta,
Por que então você ainda me encanta?
Se eu canto com o nó na garganta e a vontade não passa
E a maldade não cessa
Vou parar de cantar, disfarçar e chorar
Na cantiga bonita não vou acreditar,
Vou parar de cantar, disfarçar e chorar
05. Fio da comunicação
O meu amor já não tem mais tanta frescura,
A minha vida não suporta compostura
E assimilando toda a situação,
Sigo tranqüila com muita perturbação
Espero um dia não tomar o tal Prozac
e nem perder o fio da comunicação
Na vadiagem glorifico ao meu rei,
No prosseguir, confesso também errei
Espero ser uma pessoa quase sã
pra nunca ter que conhecer o Diazepan
06. Vampiro tupiniquim
O tempo todo eu fico pensando
O que fazer agora, como e quando começar,
A vida inteira vou me perguntando
Quando esta paranóia vai se acabar
Não tenho pressa pra comer o banquete,
Se você preferir, passe na frente
Estou cansada de papo furado,
Todo mundo tem complexo de Presidente
E uma inclinação…
Astrólogo de plantão,
Psicólogo de botequim,
Treinador da Seleção,
Vampiro Tupiniquim
07. Veia urbana
Dentro de uma cápsula, no meio de uma veia urbana
Estou ficando insana, atravessando essa nuvem de sujeira
O vento não me afaga, ele me arranha,
Eu vou ficando suja, parecendo um meganha,
Me tirem logo daqui
Reflexão para não explodir
Veia urbana congestionada,
Olhos ardendo,
Vista cercada
E quando cai uma garoa essa terra não fica nada boa
É mal na Marginal
Agonizante lá na Bandeirantes
Causa desmaio na 23 de Maio
Faz tomar no cu no Vale do Anhangabaú
Veia urbana alagada
Socorro, estou morrendo afogada
08. Madrugada
A madrugada vem formosa, mansa e densa
Madrugada, mãe imensa
A madrugada vem formosa, mansa e densa
Antiqüissíma, intensa
A noite vem anunciar
Que a dama já vai desfilar
Envolta em manto estrelado
E com seu gingado vai nos embalar
O dia prestes a despertar
Trará consigo o Sol que vai jorrar
A luz do seu esplendor,
Testemunha ocular do que já se passou
09. Libido
Com meu esgar lascivo,
Me atolo, não reflito, me estrumbico,
Fico à beira do abismo
Com meu olhar aflito,
Quase grito ao desespero, me entrego,
Desmantelo, precipito
Teima, queima, rasga a carne, salta pelo vestido
Pinta, borda, deita e rola,
Turbinada ela decola,
Solta, sola minha libido
Que vaza, devassa, arrasa tudo por onde passa
Soberba, faz pirraça e nem sequer disfarça
10. Não mais que um dia
Seu amor me libertou,
Me deu brilho e esplendor
Mas um dia evaporou
Feito chuva no calor
Seu amor me abandonou
Era pouco e se acabou
Ou vai ver que se mudou
Nem endereço deixou
Lembro agora uma cantiga
Que ouvi de uma perdida
Ecoava a cada esquina,
Cada rosto a mesma sina
Só tristeza refletida
No seu olhar sem guarida
Eu pensei que estava doida,
Cantava com voz doída
Foi no crepúsculo que perdi todo o escrúpulo
Foi na aurora que lavei a minha alma
Foi com a nobreza do Sol quente, ao meio dia
Que aplaquei minha perversa agonia
Foi ao entardecer que fui perceber com certa ironia
Que bastou-me um dia pra esquecer a sua fisionomia
11. Linfa ácida
O meu fundo é raso
(Nele às vezes transbordo)
Minha linfa ácida
Vira e mexe me entorto
Transpiro, me descontrolo
E se não choro é que as lágrimas secaram
Transtorno em desvario
Se não sorrio é que os gracejos se acabaram
Transcorro
Mesmo prostrado
E se não grito é porque entalo
“E olha só quem eu encontro no cruzamento da Brigadeiro Luiz Antônio com a Avenida Paulista, pensando, simplesmente pensando…
(da canção Silêncio na Multidão, de Fernando Catatau)
“E eu num processo automátivo, andando, andando, andando”
(da canção Cadê Cadência, de Andréia Dias e Iara Rennó)



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1. ariane | 19 de dezembro de 2008 às 23:24
mas ta muito legal esse cd..adorei..sucesso andreiaaa!!!
2. admin | 20 de dezembro de 2008 às 9:26
Se estiver procurando algum outro cd é só pedir